Joelho que estala: quando o barulho é normal e quando merece atenção
O estalo no joelho assusta, mas na maioria das vezes não significa lesão; entenda quando o barulho é só barulho e quando vale investigar.
Dr. Dyogo Oliveira
Fisioterapeuta, fundador da clínica
Você se agacha para pegar algo no chão e ouve aquele “croc”. Sobe a escada e o joelho parece ranger, como se tivesse areia por dentro. Senta, levanta da cadeira, e lá vem o estalo de novo. Se isso soa familiar, pode respirar: o joelho que estala é uma das queixas mais comuns que existem, e na grande maioria das vezes não é o sinal de problema grave que a nossa cabeça logo imagina.
O barulho, sozinho, quase nunca é o problema
O estalo aparece com facilidade em quem corre, agacha, sobe e desce escada, senta e levanta várias vezes ao dia ou passa tempo ajoelhado. É tão comum que quase todo mundo já ouviu, em si mesmo ou em alguém por perto. O ponto importante é este: o barulho não está automaticamente ligado a uma lesão. A maior parte das pessoas que convivem com esse “croc” não sente dor, não está machucada e não tem nenhuma doença séria no joelho. Se a sua articulação estala, range ou dá aquela sensação de “areia”, mas não dói e não te impede de fazer suas atividades, ainda não é motivo para preocupação.
O medo do estalo pesa mais do que o estalo
Um estudo publicado na revista Musculoskeletal Science and Practice investigou o que as pessoas acreditam sobre esse barulho no joelho e como essas crenças mudam o comportamento delas. Muitos participantes achavam que o estalo era sinal de desgaste, de lesão na articulação ou de envelhecimento. Relataram que o barulho os fazia se sentir mais velhos e, por consequência, menos dispostos a se manter ativos. O detalhe é que não existe evidência de que o barulho, sozinho, cause dor, doença ou envelhecimento precoce da articulação. Ou seja, o medo em torno do estalo costuma limitar mais a pessoa do que o próprio estalo.
Um joelho que estala, mas não dói e não trava, quase sempre é só um joelho que estala.
Quando o estalo pede um olhar mais atento
O barulho muda de figura quando vem acompanhado de outros sinais, como dor, inchaço ou travamento. Aí vale procurar uma avaliação para investigar o que está por trás. Alguns exemplos de situações que um profissional pode investigar:
- Condromalácia (ou condropatia): um desgaste da cartilagem na região da patela, a rótula do joelho. Costuma vir com estalos ao dobrar a perna, sensação de travamento, dor na frente do joelho e atrás da rótula, principalmente ao subir e descer escada, às vezes com inchaço.
- Lesão de menisco: o menisco é o disco que amortece o joelho e absorve impacto. Ele pode se romper em uma torção ou giro brusco, geralmente quando o joelho gira e o pé fica preso no chão.
- Sinovite, a conhecida “água no joelho”: uma inflamação da membrana que reveste a articulação.
- Síndrome da plica sinovial: uma dobra de membrana que sobra dentro do joelho e que, com o esforço repetitivo, pode inflamar.
O que costuma ajudar
Tenha ou não uma lesão por trás, o caminho quase sempre passa por movimento. O tratamento costuma envolver exercícios físicos, ou o ajuste deles quando o problema veio de um trauma ou de excesso de treino. A ideia não é parar de se mexer com medo do barulho, e sim entender a causa e adequar a carga para que o joelho trabalhe melhor. Continuar ativo, com orientação, é o que costuma manter o joelho funcionando bem.
Se o seu joelho estala com dor, incha ou trava, ou se a dúvida simplesmente está tirando o seu sossego, o melhor a fazer é uma avaliação com um profissional que possa examinar o seu caso de perto e te orientar. Entender o que está acontecendo já tira metade do peso das costas, e do joelho.
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Falar no WhatsAppEscrito por Dr. Dyogo Oliveira
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