Dor e Coluna 9 de julho de 2026 3 min de leitura

Hérnia de disco sem cirurgia: é possível tratar?

Na maioria dos casos, a hérnia de disco pode ser tratada sem cirurgia, e entender por que isso acontece muda a forma como você encara o diagnóstico.

Dr. Dyogo Oliveira

Dr. Dyogo Oliveira

Fisioterapeuta, fundador da clínica

Fisioterapeuta explicando um modelo anatômico de coluna a um paciente

Você fez uma ressonância, leu a palavra “hérnia de disco” no laudo e já saiu do consultório imaginando a data da cirurgia. Respira. Essa é uma das dúvidas mais comuns que escuto, e ela vem não só de pacientes, mas às vezes de profissionais de saúde também: dá para tratar hérnia de disco sem operar? Na maioria dos casos, sim. E vale a pena entender o porquê antes de tomar qualquer decisão.

O que é, de verdade, uma hérnia de disco

Uma imagem ajuda a entender. Pense numa goma de mascar: tem a parte de fora, mais firme e fibrosa, e um recheio mais líquido no meio. O disco da sua coluna é parecido. Quando parte desse recheio se desloca, chamamos de hérnia.

Aqui mora um mal-entendido perigoso. Muita gente passa a imaginar uma coluna frágil, que vai “vazar” a qualquer movimento, e para de se mexer por medo. Não é assim. A coluna e os discos são estruturas muito resistentes, aguentam o tranco do dia a dia e até bastante peso. Ficar parado por medo costuma atrapalhar mais do que ajudar.

O seu corpo tenta se resolver sozinho

Existe um fenômeno chamado reabsorção espontânea. Em bom português: o próprio corpo reage para conter o material que se deslocou e, com o tempo, reabsorve boa parte dele. Não é promessa, é algo que a ciência já observou e mediu.

Uma revisão publicada na revista Pain Physician (2017) reuniu estudos que encontraram reabsorção espontânea da hérnia em torno de 83% dos casos no Reino Unido e 67% no Japão.

Tem um detalhe que costuma surpreender: alguns estudos apontam que, quanto maior a hérnia, maior foi a chance de reabsorção. Ou seja, o tamanho que aparece no exame nem sempre é o vilão que parece.

Seu exame de imagem não conta a história toda

Por isso, não se assuste com o laudo. A ressonância é uma parte da avaliação, não a sentença final. Dentro do consultório, o exame clínico (como você se move, onde dói, o que melhora e o que piora) costuma dizer mais sobre o seu caso do que a imagem sozinha. Duas pessoas com laudos parecidos podem ter histórias completamente diferentes.

Por que começar pelo tratamento conservador

Justamente por causa da reabsorção espontânea, em muitos casos a cirurgia não se mostra superior ao tratamento conservador, aquele que envolve fisioterapia, terapia manual e exercício. Começar por aí faz sentido por alguns motivos:

  • Pode reduzir complicações que uma cirurgia traria
  • Costuma ser menos invasivo e mais acessível
  • Trabalha a sua qualidade de vida enquanto o corpo responde

A referência que aparece nos estudos é dar um tempo ao tratamento conservador, algo entre quatro e onze meses, em média. Se nesse período não houver melhora, se o quadro persistir ou piorar, aí sim a cirurgia entra como uma recomendação séria. E é importante deixar claro: para alguns casos, a cirurgia é fundamental. O melhor caminho quase sempre passa por diferentes profissionais de saúde conversando entre si, com um objetivo só, a sua recuperação.

O primeiro passo

Se você recebeu esse diagnóstico e está perdido entre o medo e a pressa, o começo não é decidir sobre a cirurgia. É entender o seu caso com calma, numa avaliação que olhe além do laudo. A partir daí fica muito mais fácil escolher o caminho com segurança. Se quiser conversar sobre a sua situação, estou aqui em Pindamonhangaba para ajudar você a investigar a causa da sua dor e montar um plano no seu tempo.

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Escrito por Dr. Dyogo Oliveira

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